Mesmo quem acompanha a fundo o noticiário econômico talvez desconheça como funciona o Ibovespa. O índice que mede o desempenho das ações mais negociadas da B3 (resultado da integração entre BM&FBOVESPA e Cetip) está completando cinco décadas. Mas como é calculado?

Do G1, 12/09/2018

 

As inovações para medir a variação do mercado de ações no Brasil começaram a surgir no final dos anos 50. Buscava-se uma maneira de modernizar o mercado financeiro do país. Na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, então a principal brasileira, no fim do pregão, registrava-se a variação de cada ação. Mas os investidores tinham a necessidade da referência do mercado como um todo.

A mudança para um indicador geral veio com o Índice Bolsa de Valores (IBV), metodologia criada pelo economista Mário Henrique Simonsen, que passou a ser divulgada em 1967. Juntava as ações mais negociadas do mercado numa carteira que variava como se também fosse uma ação.

O Ibovespa, lançado em janeiro de 1968, incorporou o mesmo método. A primeira carteira abrangia 18 empresas, porém na segunda, em setembro do mesmo 1968, já eram 27. Hoje são 66. Estas ações em conjunto representam 80% da movimentação da bolsa nos 12 meses anteriores.

Vale (do Rio Doce na época) e AmBev (que entrou no índice como Antarctica) são as únicas remanescentes da lista original, ou seja, nunca deixaram de fazer parte do índice. Além das duas companhias, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Petrobrás são as empresas que fazem parte do índice por muito tempo.

Se hoje há os home brokers, com os quais investidores operam de casa, os pregões de 50 anos atrás eram bem diferentes. Eram realizados em um balcão redondo, chamado corbeille, em torno do qual os operadores, reunidos, compravam ou vendiam ações aos gritos conforme os nomes das empresas eram lidos em ordem alfabética. O público lotava as galerias para ver as operações.

Não havia, lógico, pregão eletrônico, os preços eram escritos na lousa pelos funcionários. Os comprovantes das negociações subiam para a Divisão Técnica anotados em um papel, preso por um pregador de roupas a um barbante.

Para divulgar o pregão do dia, primeiro era preciso calcular e recalcular até que diferentes tentativas chegassem aos mesmos resultados. Era um trabalho demorado, feito com calculadoras mecânicas, primeiro, e eletrônicas, depois – hoje plataformas atualizam os números em tempo real.

A metodologia funcionou quase sem ajustes de 1968 a 2014, quando sofreu a primeira alteração importante – motivada pela quase falência da petroleira OGX. Desde então, o Ibovespa incorporou, além do valor negociado, o valor de mercado da empresa. O índice reflete hoje os movimentos das empresas mais representativas da bolsa, não só as mais negociadas.

Ibovespa é usado em vários países como referência para produtos financeiros — Foto: Divulgação B3

Ibovespa é usado em vários países como referência para produtos financeiros — Foto: Divulgação B3

Além disso, cada quatro meses é reavaliada a participação de cada empresa no índice, assim como a saída ou entrada de novos papéis.

Em um país onde as boas ideias econômicas muitas vezes não costumam durar, o Ibovespa demonstra resiliência. Como aponta o mapa, o índice é usado em vários países como referência para produtos financeiros além de ajudar a todos que queiram investir em ações a saber o que se passa no mercado.

Amaril Franklin CTV Ltda