Taxa é a menor para um mês de agosto em 20 anos. No acumulado em 12 meses, inflação oficial do país recuou para 4,19%.

Por G1

06/09/2018

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, caiu 0,09% em agosto, após alta de 0,33% no mês anterior, segundo divulgou nesta quinta-feira (6) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A última vez que o índice teve variação negativa foi em junho de 2017, quando a taxa caiu 0,23%.

Segundo o IBGE, foi a menor taxa para um mês de agosto desde 1998, quando o IPCA registrou queda de 0,51%.

IPCA em agosto:

  • Taxa no mês: -0,09%
  • Acumulado no ano: 2,85%
  • Acumulado em 12 meses: 4,19%

Inflação oficial mês a mês

Variação mensal dos preços, em %

Fonte: IBGE

No acumulado em 12 meses, o índice ficou em 4,19%, abaixo dos 4,48% dos 12 meses imediatamente anteriores, e segue dentro da meta central do Banco Central, que é de 4,5% para o ano. No acumulado nos 8 primeiros meses do ano, a alta é de 2,85%, acima do 1,62% registrado em igual período de 2017.

Pesquisa da Reuters apontou que a expectativa de analistas era de estabilidade em agosto, acumulando em 12 meses alta de 4,30%.

Grupo alimentos e bebidas tem deflação pelo 2º mês seguido

Com queda média de 0,34% nos preços, o grupo alimentação e bebidas registrou deflação pelo segundo mês consecutivo, ficando a taxa de agosto bem próxima à de fevereiro (-0,33%).

O grupo transportes também registrou deflação de julho para agosto, com recuo médio de 1,22% nos preços, com um impacto de -0,23 ponto percentual na composição do IPCA. (p.p.). O destaque do grupo foi o item passagem aérea, que, após a alta de 44,51% em julho, caiu 26,12% em agosto, sendo responsável pelo maior impacto individual no índice.

Segundo o IBGE, os combustíveis (-1,86%) também contribuíram para a variação negativa do grupo, com destaque para o etanol (-4,69%) e a gasolina (-1,45%).

Houve também desaceleração na alta das contas de luz, que passaram de 5,33% em julho para 0,96% em agosto. Em 8 das 16 áreas pesquisadas, o item energia elétrica registrou deflação, em razão de redução na alíquota do PIS/COFINS.

Variação do IPCA em agosto por setor:

  • Alimentação e Bebidas: -0,34%
  • Habitação: 0,44%
  • Artigos de Residência: 0,56%
  • Vestuário: 0,19%
  • Transportes: -1,22%
  • Saúde e Cuidados Pessoais: 0,53%
  • Despesas Pessoais: 0,36%
  • Educação: 0,25%
  • Comunicação: 0,03%

Do lado das altas, os grupos habitação (0,44%) e saúde e cuidados pessoais (0,53%) representaram a principal pressão sobre a inflação do mês, com contribuição no índice, 0,07 ponto percentiual cada um.

A taxa de 0,44% do grupo Habitação, que em julho havia sido de 1,54%, sofreu influência da desaceleração nas contas de luz, que passaram de 5,33% em julho para 0,96% em agosto

Inflação acumulada em 12 meses

Evolução do IPCA no acumulado em 12 meses, em %

Fonte: IBGE

Inflação por regiões

Dentre as 16 regiões pesquisadas pelo IBGE, 12 registraram deflação em agosto. O menor índice (-0,72%) ficou com Brasília, seguida por São Luís (-0,51%) e Rio de Janeiro (-0,38). A maior inflação foi registrada em Goiânia (0,30%), Rio Branco (0,26%) e São Paulo (0,12%).

Meta de inflação

Mesmo com a recente disparada do dólar, a previsão dos analistas aponta para uma inflação de 4,16% em 2018, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central.

O percentual esperado pelo mercado continua abaixo da meta de inflação que o Banco Central precisa perseguir neste ano, que é de 4,5% e dentro do intervalo de tolerância previsto pelo sistema – a meta terá sido cumprida pelo BC se o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficar entre 3% e 6%.

Em meio à recuperação lenta da economia, com desemprego ainda alto e demanda fraca, analistas avaliam que o chamado repasse da alta do dólar para a inflação tende a ser menor.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), atualmente em 6,5% ao ano.

Para 2018, a meta central de inflação é de 4,5% (com teto de 6,5%) e, para 2019, é de 4,25% (teto de 5,75%).

Amaril Franklin CTV Ltda