Rali do S&P 500, que começou em março de 2009, está prestes a superar tudo o que aconteceu antes.

Bloomberg 21 ago 2018

Você provavelmente já ouviu falarem: este é o bull market mais longo da história. Você provavelmente também ouviu: não, não é. Então, é ou não é?

De acordo com um consenso impreciso, bull markets são ralis de mais de 20 por cento que nunca são interrompidos por uma queda de 20 por cento. Em muitos lugares de Wall Street, isso significa que o rali do S&P 500, que começou em março de 2009, está prestes a superar tudo o que aconteceu antes.

O problema é o seguinte: essas definições não taxativas. Não são leis da natureza — nem sequer está totalmente claro de onde elas vêm. Algumas pessoas acham o limite de 20 por cento arbitrário, falso, uma invenção. Os especialistas discordam em tudo, desde o papel da psicologia na definição das épocas do mercado até o grau de rigorosidade que é preciso ter em relação aos parâmetros anteriores.

Várias objeções estão relacionadas à medição. Uma delas é sobre como datar o rali que está supostamente sendo substituindo pelo atual– a bolha das pontocom. Normalmente, os estatísticos determinam o começo do rali de tecnologia em outubro de 1990, o fundo do poço de uma queda do S&P 500 que chegou muito perto de 20 por cento, mas que não atingiu esse número. Se você se recusar a considerar essa queda de 19,92 por cento como uma de 20 por cento, o avanço se prolonga, e o de hoje precisaria de mais mil dias para excedê-lo.

“Se você arredondar os dados, vai obter um certo número de bull markets. Se não arredondar, vai obter um número diferente”, disse Justin Walters, cofundador da Bespoke Investment Group, em entrevista por telefone. “Se quiser fazer isso, tudo bem, mas você não vai estar usando a definição padrão de 20 por cento.”

Quando uma tradição se consolida em Wall Street, é difícil removê-la. O melhor argumento para considerar 1990 como uma interrupção de um rali otimista é que provavelmente grande parte da velha guarda o considera assim. Pesquisadores diferentes dão veredictos diferentes — às vezes na mesma empresa. Seja como for, esses oito centésimos de ponto foram passados por cima pela história, que deixou que o rali da década de 1990 começasse em 1990.

Outro ponto para ser analisado: que importância tem? Os títulos estão em boa forma há anos — talvez seja melhor deixar para lá. O mercado acionário não é um projeto de geometria, dizem os céticos, é uma ferramenta para a formação de capital, algo de que as pessoas dependem para se aposentar. Que diferença faz se o histórico apresentar um padrão no qual os declínios de 20,1 por cento são importantes e os de 19,9 por cento não?

Outro problema diz respeito ao costume de datar os bull markets do pico até o mínimo. Assim, como o S&P 500 estava mais alto em janeiro do que está agora, é possível que o bull market tenha acabado naquele momento. Claro, as ações agora estão muito mais perto dos picos do que de um declínio de 20 por cento. Mas quem sabe?

“Nós gostamos de registros, gostamos de números redondos, é um conceito sobre o qual nós gostamos de falar e de tuitar”, disse Charlie Bilello, diretor de pesquisa da Pension Partners, em entrevista por telefone. “Mas ninguém em sã consciência usaria isso como estratégia de investimento.”

Repórter da matéria original: Elena Popina em Nova York

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Courtney Dentch, Chris Nagi, Jeremy Herron

 

Amaril Franklin CTV Ltda